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Se houvesse um enterro para a TAXBRA minha dúvida seria: vou de terno preto ou bermuda colorida? Com certeza eu vou, mas não conseguiria nem chorar nem falar sobre as maravilhas que ela fez em vida. Gosto de trabalhar com processos, e ficar meses em projetos para atender uma nova forma maluca de calcular impostos, sinceramente, nunca brilhou meus olhos. Nota fiscal então… enfim, isso é perfil de cada um. Tenho bons amigos que adoram impostos, mas não me alegro em atender as sandices fiscais de governos criativos.

O fato é que a TAXBRA já tem uma solução substituta a altura e com uma tonelada de benefícios para os clientes. SAP Tax Service é o nome, e já esta disponível para o Brasil na versão S/4HANA 1805 (em cloud).

Seja agora, seja logo mais, o fato é que o SAP Tax Service é um caminho óbvio e natural, que já está disponível para muitos países com impostos igualmente complicados, e tem na estratégia de cloud a dependência do consumo de APIs para seguir avançando. Quando se avalia todo o contexto do S/4HANA, as novas formas de ampliação, consumo de APIs e racionalização dos desenvolvimentos, bem como o caminho elástico e ágil das soluções em Cloud, atentamos não ser mesmo possível seguir com a TAXBRA e a formula 320 (e seus muitos hardcodes). Ou seja, a mudança faz todo sentido.

Antes de me mandar e-mail com a frase “duvido que a TAXBRA morra”, e eu também duvido. Assim como duvido que após 2025 não existirá mais SAP 4.6c rodando TAXBRJ. Agora, eu acredito fortemente que o pareto estará mais pendendo para a solução nova do que a antiga.

Entrando no detalhe da nova formula de cálculo de imposto, basicamente o funcionamento passa pelo consumo de um serviço em que se entrega as informações da transação, seja de compra ou venda, e a API (da SAP ou dos parceiros) irá devolver todos os dados relevantes para o cálculo fiscal.

Desenho da arquitetura, fonte SAP. (ver documento original)

Chamada
Se envia para o serviço os dados de custo unitário, Origem, Destino, os parceiros de negócio, material e outras informações relevantes para determinação dos impostos e alíquotas. E aqui um ponto importante, neste contexto a J1BTAX não será mais a fonte primária de dados de impostos e alíquotas.

Retorno
O retorno é bem maior que o exemplo abaixo, apenas separei algumas tags para apresentar como o retorno acontece.

          quote {
          total (Valor total da nota fiscal)
          subtotal (Soma de valor de todos os produtos)
          country (País)
          …
          }
          taxLine {
          id (ítem da nota)
          totalTax (valor total do ítem, contendo ICMS + ICMS-FCP + PIS + COFINS)
          taxcode (CFOP)
          …
          }
          taxValue {
          taxTypeCode (IPI, ICMS, ICMS-ST, ICMS-FCP, ICMS-ST-FCP, PIS, COFINS, ISS, IR, CSLL)
          name (Nome do Imposto)
          taxable (base de cálculo)
          exemptedBaseAmount (redução de base)
          otherBaseAmount (outras bases)
          …
          withholdingRelevant (imposto retido)
          …
          }
          taxAttributes {
          attributeType (Valores como CST, CENQ, Margem de Valor Agregado…)
          attributeValue (Valor do atributo)

A verdade é que imposto não está no topo da prioridade para seguir um caminho virtuoso de transformação digital, e separar a localização do core da aplicação me parece fazer todo o sentido.

Somar-se a isso que ferramentas de machine learning e blockchain podem no futuro próximo ser utilizados em complemento a API de imposto, seja para automatizar parametrizações, auxiliar nas operações fiscais ou mesmo para gravar em um segmento de blocos informações fiscais para posterior auditoria. Enfim, infinitas possibilidades, para um tema infinitamente complexo.

Quer conhecer mais? Veja os links abaixo:

PS: uma informação. Nesta fórmula de cálculo, aquele botãozinho na pricing de “análise do cálculo”… não estará mais disponível ok?

Innovation for thought!

FM

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8 Comments

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  1. Renan Correa

    Opa Fausto!

    Legal o post, interessante também que o TaxService para Brasil estará disponível para parceiros fazerem as determinações de impostos, está aí então mais uma oportunidade para o ecosistema da SAP no Brasil criar soluções para descomplicar a determinação de impostos!

    Esse trabalho é o mais árduo em qualquer implementação de SAP no Brasil.

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  2. Sergio Luiz Bobadilha

    Bom Fausto,

    Já temos o serviço SAP Cloude NFe Outbound, em breve Inbound também.

    Portanto este é um dos caminhos do SAP Cloud, automatizar estes processos complexos de localização, os quais vou sentir falta, por incrível que pareça.

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    1. Fausto Motter Post author

      Bom ponto Bobadilha.

      Considerando GRC on Cloud, e NFE Outbound on Cloud, em algum tempo teremos muitas outras oportunidades de consumo de serviços localizados.

      Abraços, FM

      (1) 
  3. MARCOS MOURA

    Recentemente fizemos uma migração de BRJ para BRA, com atualização de SP, aplicação de notas relevantes e subida dos BCSets mais recentes. A primeira ov com a RVABRA funcionou de prima, com NFe autorizada inclusive. Ou seja, a solução atual é muito boa, nao vejo ganho algum em substituição. Entendo que a SAP tem a ideia de vender serviço on cloud, quanto mais melhor, melhor pra integrar sistemas legados também mas pra empresas com instalação de ERP vejo bastante resistência na adocao desse novo serviço.

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    1. Fausto Motter Post author

      Marcos,

      este tema é polemico, e a vantagem ou não depende de uma infinidade de variáveis, em especial o interesse e viabilidade em capturar valor das novas soluções. Mas independente de qualquer coisa, também não consigo ver (e nem ouvi nada a respeito) de no curto prazo substituir de vez a TAXBRA.

      Pessoalmente eu vejo que o S/4HANA traz muitas vantagens para o negócio, que vão desde a velocidade na captura de melhorias na plataforma, metodologia de trabalho muito mais rápida, e porque não, a própria estratégia Cloud como redutor de custo. Para começar.

      Em resumo eu concordo contigo, quando estamos falando de SAP tal qual falávamos até alguns anos. Olhando do ponto de vista da nova realidade e compromisso S/4HANA, entendo que sim pode ter um ganho enorme a medida que você mantém todas as melhorias (inclusive de localização) fora do core.

      Olhando só o Tax Service eventualmente pode se questionar de não existir ganho (pessoalmente discordo). Mas, olhando todo o landscape, e todas as oportunidades, como por exemplo consumo de APIs, flexibilidade de atualizações, custos da cloud, diminuição do esforço com manutenção, zilhares de novas funcionalidades … etc etc… acho que o ganho não é grande, acho que é enorme!

      Enfim, como disse na primeira linha, o tema é polemico mesmo, e depende de muitas variáveis absolutamente específicas de cada negócio.

      Abs e obrigado!

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  4. Marcelo Boccia

    Fausto

    Excelente post, rico em detalhes e muito interessante.

    Obrigado por compartilhar esse conjunto de informações.

    Abraço

     

    Marcelo Boccia

     

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    1. Fausto Motter Post author

      Boccia, depois, quando tiver um tempo, de uma olhada nas APIs da SAP Cloud. Tem muita coisa lá para estudar.  Inclusive no help da 1805, os cenários que já são atendidos estão bem descritos e detalhados.

      Abs, FM

      (0) 

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