Este blog é a versão em Português do blog que publiquei no espaço de Design Thinking with SAP aqui no SCN. Achei que seria interessante compartilhar com a comunidade em Português, já que o projeto que descrevo aqui aconteceu no Brasil.

 

Apenas uma semana antes de ir para o SAP Teched 2013 Amsterdam, eu tive o prazer de ser uma júnior Design Thinking coach em um workshop com os alunos da Universidade de São Paulo, em São Carlos, Brasil. Em uma das minhas duas sessões do tipo Expert Networking Session em Amsterdam, eu tive a chance de falar sobre esta experiência. Tudo começou há alguns meses, quando a Heike van Geel compartilhou comigo este link do SCN sobre um projeto sem fins lucrativos que deveria acontecer no Brasil e que estava em busca de parceiros. Quando eu vi a descrição do projeto, eu imediatamente entrei em contato com o grupo organizador para descobrir como eu poderia ajudar. E eu fiz isso por algumas razões: primeiro, porque veio da Heike e ela é a minha DT mentor. Tudo o que vem dela é muito interessante e muda minha vida. Em segundo lugar, o projeto aconteceria na cidade e na Universidade onde me formei, e de onde a maioria dos meus amigos atuais vêm (incluindo o meu marido). Muitos sentimentos e memórias voltaram à mente. Eu não vou lá muitas vezes como eu costumava fazer nos primeiros anos depois que me formei, e eu ainda tenho amigos que vivem lá, por isso seria uma grande oportunidade de revê-los. Como eu conheço a cidade, o Campus e algumas pessoas que vivem lá, pensei que eu poderia com certeza ajudá-los de alguma forma. Outra razão foi que eu estava indo para ajudar a explicar Design Thinking a estudantes altamente qualificados que podem usar isso mais tarde no seu dia-a-dia, mudar sua maneira de pensar antes de chegarem ao mercado de trabalho, e ajudá-los a começar a sua vida profissional mais bem preparados do que eu estava. Essa razão foi muito forte para mim. E por último, mas não menos importante, eu estava indo para aprender a ser uma coach de Design Thinking, depois de ter um workshop com a Heike no SAP Teched Madrid 2011 e de ter feito dois treinamentos. Uma preparação especial para poder estar entre os coaches de DT no SAP InnoJam exatamente na semana seguinte.

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A primeira coisa que fiz foi abrir o site http://www.designthinkinginbrazil.com em busca de mais informações. Este link mostra agora informações sobre o workshop de um fim de semana em que eu participei e vou explicar neste e no próximo blog, mas naquele momento a informação do site era a mesma descrita no doc do SCN criado pela Heike: a ideia do projeto era de um programa de Design Thinking de 6 semanas para estudantes, de 18 de outubro até 30 de novembro. Eles precisavam de parceiros (patrocinadores) para dar aos alunos problemas reais ou desafios que eles desenvolveriam durante as 6 semanas. Os parceiros então receberiam ao final do programa pelo menos duas soluções inovadoras, criativas e detalhadamente desenvolvidas para o problema ou desafio, já que dois grupos trabalhariam em cada desafio. Mais detalhes podem ser encontrados no link do SCN que foi mencionado no início.

O patrocínio também seria importante para trazer coaches experientes da Alemanha para São Carlos. Eles precisavam de ajuda para as despesas, lugar para ficar, etc. Então, depois de verificar o site, eu mandei um e-mail para eles perguntando como eu poderia ajudar e explicando as minhas razões, e eu recebi uma mensagem muito gentil e positiva de volta. Eles estavam muito felizes por eu estar interessada em ajudá-los, e depois de me explicarem alguns detalhes eu comecei a fazer a minha parte. Enviei e-mails para os meus clientes e amigos com o folder do projeto e expliquei os benefícios de participar , e também pedi informações sobre hotéis baratos ou apartamentos onde os coaches poderiam permanecer por 6 semanas. Recebi feedbacks muito positivos de todas as empresas. Uma das empresas muito rapidamente quis saber como ajudar, quanto pagar etc, então eu dei o contato da equipe do projeto. O grande problema foi que tudo aconteceu em um prazo muito curto, e as coisas no Brasil são um pouco burocráticas( hehe…). Então, no final, tivemos empresas interessadas em participar, mas não tivemos o tempo necessário para fazer as coisas acontecerem antes da data em que o workshop deveria acontecer.

A equipe do projeto tomou a decisão de adiar o programa, mas um dos membros da equipe, Ljubow Chaikevitch, Design Thinker certificada pela Escola de Design Thinking do Hasso PIattner Institute (HPI School of Design Thinking), a menina super gentil e simpática que estava em contato comigo desde o início, me disse que ela estava vindo ao Brasil de qualquer maneira de férias, e para visitar seus amigos que vivem aqui, e que essa seria uma grande oportunidade para ela saber mais sobre o país, sobre a USP e para encontrar pessoalmente os possíveis parceiros. E para me conhecer 😎 . Ela realmente queria fazer algo acontecer este ano e estar mais preparada para fazer o grande programa no próximo ano.

E então ela veio para São Paulo. Eu gostei dela imediatamente. Saí para almoçar com ela e passamos quase a tarde inteira conversando e discutindo como fazer este projeto acontecer. Ela queria ter pelo menos um pequeno workshop, algo como 3 dias, mas ela precisava de voluntários para ajudá-la como coaches. No dia seguinte fomos juntas a uma escola de Design Thinking para visitá-la. Tivemos uma boa conversa com o proprietário, que também é um ex-aluno da HPI D-School. Ela também foi ao Campus da USP em São Paulo e descobriu que Design Thinking provavelmente vai fazer parte da grade de disciplinas lá muito em breve. Se não me engano, houve um workshop de DT lá alguns dias antes .

Após estes 2 dias juntas, ela finalmente foi para São Carlos. Ela passou duas semanas lá trabalhando no laboratório NUMA – Núcleo de Manufatura Avançada, uma organização virtual muito bem reconhecida que agrega atualmente alguns grupos de pesquisa do Departamento de Engenharia de Produção (SEP) da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da Universidade de São Paulo (USP). O NUMA é ainda a sede do Instituto Fábrica do Milênio (IFM), uma rede de institutos na área de manufatura no Brasil. O NUMA foi premiado com o Prêmio de Parcerias Acadêmicas da SAP Américas com o projeto “Integrated Production and Supply Chain Management” – IPROS . 27/01/2000 .


Fonte sobre NUMA: http://www.numa.org.br/historico.htm

Ela trabalhou tanto e com tanta vontade, com a ajuda do Professor Henrique Rozenfeld e alguns alunos que também queriam fazer algo acontecer, especialmente o  estudante Victor Macul, que finalmente o workshop aconteceu. Durante estas duas semanas, eles encontraram dois coaches voluntários (eu era uma e o outro era um Design Thinker alemão também certificado pelo HPI que vive no Brasil), 2 patrocinadores para materiais (3M do Brasil deu todos os Post-its e Faber-Castell deu os materiais como canetinhas coloridas e lápis de cor, massa de modelar, fitas, tesouras, etc ) e mais de 40 alunos se inscreveram interessados em participar. Nota: o workshop ia acontecer em um fim de semana antes de um feriado, e a maioria dos alunos costuma viajar de volta para casa quando eles têm 3 dias de folga assim, então mais de 40 foi uma agradável surpresa. Depois de algumas entrevistas (os alunos tinham que ser fluentes em Inglês porque o workshop seria realizado em Inglês) eles selecionaram 15 alunos divididos em 3 grupos para os 3 coaches. Em cada grupo havia pelo menos uma pessoa de outro país (USP tem muitos estudantes estrangeiros ). A idéia era fazê-los experimentarem Design Thinking por 3 dias, uma noite de sexta-feira para apresentações e exercícios rápidos, e 2 dias para um workshop com um desafio.

Assim, com um grupo de estudantes interessados em participar, material, espaço, coaches e todo mundo muito animado e com muita vontade de aprender e se divertir, começamos o projeto Design Thinking in Brasil em São Carlos na sexta-feira 25 de outubro. Foi muito divertido!

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Nos próximos blogs (Parte II e III) vou descrever as atividades de 3 dias .

O programa inicial de 6 semanas que não pôde acontecer este ano está sendo planejado agora para o próximo ano. No momento a equipe do projeto está procurando parceiros, não só no Brasil mas também em outros países, empresas que possam estar interessadas no desenvolvimento de novos produtos ou serviços para o mercado brasileiro com uma equipe multicultural e multidisciplinar de estudantes super motivados da Universidade #1 na América Latina.

Contato:

info@designthinkinginbrazil.com 

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9 Comments

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  1. Karen Rodrigues

    Ola Raquel,

    Interessante experiência, parabéns pela iniciativa e pelo trabalho que estas desenvolvendo…

    Estou aguardando a parte II 🙂

    Abraços,

    Karen Rodrigues

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  2. Eduardo Chagas

    Muito legal Raquel! Parabéns!!! Ancioso pra ver a continuação!

    Nunca trabalhei diretamente com DT mas num passado distante trabalhei muito com Kaizen e pelo pouco que tive contato com DT me parece que muitas das práticas/técnicas são as mesmas! E, pude ver na prática o quanto isso trouxe de retorno pra empresa! As práticas/técnicas se tornaram parte da cultura (sangue) da empresa! Usavamos pra tudo!!! Senti muita falta daquele ambiente.

    Abraço e sucesso com DT!!!

    Eduardo Chagas

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  3. Fabio Pagoti

    Olá Raquel e todos os outros DT coaches, aprendizes e wanna-be’s.

    Primeiramente é uma grata surpresa ver alguém saindo da USP para o mundo SAP e querendo de alguma forma retribuir a universidade o que ela nos oferece. Eu vim da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo e quero realmente de alguma forma dar algo em troca para ela num futuro. A propósito… já que você veio de São Carlos talvez conheça o professor Paulo Masiero… tive algumas poucas aulas com ele na EACH.

    Eu tive apenas uma experiência de DT na FazInova e foi um tanto quanto positiva. Creio realmente que DT é uma forma de trabalho voltada para lidar com a complexidade do mundo atual. Ainda, torna-se um desafio aplicá-la por ir contra uma cultura de trabalho já estabelecida e uma geração que foi preparada para esta cultura.

    Apesar de acreditar que Design Thinking é fator de peso para algumas atividades, eu não creio que a metodologia seja aplicada a todo e qualquer tipo de trabalho, especialmente o de TI. Concordo porém que alguns de seus conceitos podem servir como base para rever o que há de errado nas práticas de trabalho atuais.

    Creio que um dos grandes desafios para colocar DT na prática e tornar a empresa e sua informação aberta para quem precisar dela. Aliar burocracia, segurança da informação, múltiplos níveis hierárquicos com DT certamente não é fácil e muitas empresas além de não estarem preparadas para isso, não enxergam o possível valor agregado. Ou talvez, ninguém ainda tenha demonstrado para elas este valor.

    Fato é que uma mudança cultural só acontece caso uma semente seja plantada numa terra fértil e que de bons frutos. Não adianta enfiar uma nova metodologia num departamento por “ordem de cima” e torcer para que funcione. Ao contrário, é na universidade que se encontra esta boa terra para no futuro, colhermos seus frutos.

    Parabéns pelo post e pela iniciativa. Quem sabe eu não possa contribuir em algo quando a nova oportunidade chegar.

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    1. Raquel Pereira da Cunha Post author

      Oi Fábio,

      Masiero foi meu professor 🙂

      Eu continuo achando que DT pode ser usado em qualquer área, mesmo em TI, especialmente na área de desenvolvimento. É o que a SAP vem mostrando, usando DT em seus eventos para developers como Innojam e Codejam, e no desenvolvimento de novos produtos e novas interfaces de usuário (a estratégia de User Experience (UX) é baseada em processos de DT).

      Concordo que a parte mais difícil é convencer dos valores agregados, dos benefícios e do retorno. Acho que leva tempo. Mas acredito que a tendência é que isso lentamente mude. E se estes conceitos começarem a serem inseridos na cabeça dos estudantes, eles já sairão pro mercado de trabalho com uma cabeça diferente. Esse foi um dos pontos que me levou a querer ajudar. Eu realmente gostaria de ter tido esta oportunidade quando estudei. E no caso da Ljubow, ela queria muito dar a oportunidade de aprender isso de graça como ela teve na Alemanha enquanto ela era estudante.

      Claro que é muito difícil convencer clientes e gerentes de projeto de que haverá um tempo extra de trabalho dedicado aos processos de DT, mas isso economiza tempo depois, pois os usuários teoricamente não devolveriam tantas vezes dizendo que não foi o que pediram, já que teriam participado ativamente na fase inicial e teriam aprovado os protótipos. Mas ninguém enxerga isso numa discussão de escopo inicial de projeto. É mais fácil aceitar atrasar golives do que aceitar investir desde o início em uma forma mais inteligente de implementar. Uma pena. Acabam gastando mais.

      Sua ajuda seria super bem vinda em uma nova oportunidade, especialmente porque a maioria dos participantes e organizadores era formada por engenheiros, e precisamos de mais gente de outras disciplinas com visões diferentes. O grupo responsável pelo projeto está trabalhando para que ele aconteça de forma completa ano que vem. Vamos ficar em contato.

      Obrigada por comentar 🙂

      Abs,

      Raquel

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      1. Eduardo Chagas

        Muito verdade isso…

        “Claro que é muito difícil convencer clientes e gerentes de projeto de que haverá um tempo extra de trabalho dedicado aos processos de DT, mas isso economiza tempo depois, pois os usuários teoricamente não devolveriam tantas vezes dizendo que não foi o que pediram, já que teriam participado ativamente na fase inicial e teriam aprovado os protótipos. Mas ninguém enxerga isso numa discussão de escopo inicial de projeto. É mais fácil aceitar atrasar golives do que aceitar investir desde o início em uma forma mais inteligente de implementar. Uma pena. Acabam gastando mais.”

        Mas acho que tem mais um fator a ser vencido depois que aprovam… que é ter o comprometimento do grupo e incorporação da metodologia. Sabe como é…. mudança incomoda muita gente; estamos acostumados a uma rotina, um procedimento estático que emperra a adoção de novas atitudes, processos, ideias, etc.

        Abraço

        Eduardo Chagas

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      2. Fabio Pagoti

        Legal! O Masiero foi coordenador do curso de Sistemas de Informação enquanto estava lá.

        Concordo plenamente com o que disse quanto ao DT. Se tem empresa que não sai do Waterfall para desenvolvimento diga lá para o resto. É melhor plantar a semente mesmo.

        Vamos ficar em contato sim!

        Abraços!

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